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Educação não violenta: educar não é punir!

  

 Todos sabemos, ou deveríamos saber, que nossas atitudes em relação às crianças deixam impressões que perdurarão por toda vida. Educar alguém não é algo fácil e, muitas vezes, desafia os limites de cada um! Mas será possível educar sem punir física e/ou emocionalmente?!

   A educação não violenta se baseia em um conjunto de preceitos que entendem a criança como um indivíduo que merece ser acolhida e respeitada em toda sua particularidade. É mais do que educar sem bater. É preciso entender que a criança é um indivíduo que tem vontades e características únicas e que, nem sempre, corresponderão as nossas expectativas. Querer que uma criança se enquadre no esteriótipo de "calmo, quieto e educado" é tentar normatizar todas elas! Ensinar dizendo "não, porque não" é não dar margem a construção crítica de pensamento e argumentação, mostrando um caminho vazio.

   Quando batemos em uma criança que não fez o que gostaríamos passamos a mensagem de que podemos bater quando nos falta argumento. O debate é antigo entre os que apoiam a educação não violenta e aqueles que acham radicalismo. Um estudo americano, publicado em artigo, Durrant e Ensom dizem que: "Os resultados sugerem que a punição física em crianças está associada ao aumento dos níveis de agressão infantil, além de não ser mais efetivo em estimular a obediência quando comparado a outros métodos. Além disso, a punição física durante a infância está associada a problemas de comportamento na vida adulta, incluindo depressão, tristeza, ansiedade, sentimentos de melancolia, uso de drogas e álcool, e desajuste psicológico geral" (trecho traduzido e retirado do site Cientista que virou mãe)


Alguns argumentos usados por quem acredita na educação com palmadas:
- É bom ensinar limites.
R: que tipo de limites? A criança entende o porque dela não poder fazer algo?

- Eu apanhei e sobrevivi.
R: você se sente bem quando lembra de quando apanhava?

- Não adianta conversar
R: já tentou entender o motivo da criança? Fala de forma coerente a idade dela?

- Eu tenho autoridade e sei o que é melhor.
R: autoridade e autoritarismo são coisa diferentes. 

- Ele não me respeita.
R: já pensou que o respeito é algo mútuo?


    Não é fácil abdicar deste tipo de educação. A maioria de nós foi criado assim e temos orgulho em dizer que somos adultos muito bons, obrigada! Mas, será que realmente não podemos auxiliar nossos filhos a serem mais empáticos com o outro, a serem questionadores, a comunicarem aquilo que desejam de forma argumentativa e coerente, a resolverem seus problemas de forma inteligente e não violenta?!

   Precisamos querer reaprender a forma de educar, não é fácil... Mas acredito que todos queremos um mundo e pessoas melhores.



4. Durrant J, Ensom R. Physical punishment of children: lessons from 20 years of research. CMAJ 2012;184:1373–6.

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